Muito além do peso

Dica do Rodrigo Genja Chinaglia, vale a pena ver esse documentário:


Nas palavras dele:

“O vídeo que TODO BRASILEIRO DEVE VER: Muito Além do peso. Mostrando o lado GORDO da moeda dos alimentos gordurosos e cheios de açucar.

Mostra a determinação das crianças em querer emagrecer – em alguns casos – ou de fazer birra e os tontos dos pais darem tudo que ela quer até ela explodir de gorda.

É o que eu sempre falo, o problema não é a pessoa ser gorda, o problema é ela comer que nem uma filha da puta pra curar a ansiedade, e depois não fazer exercício  nem um esporte, e reclamar que a vida é injusta.

Um atenuante é que ninguém é obrigado a saber que essas merdas tão gostosas que a gente come fazem tão mal, faz parte da cultura de um povo a questão da cultura alimentar, e no nosso país estamos perdendo isso: Tanto por pais que dão tudo o que os filhos querem e tem preguiça de cozinhar e fazer comida de verdade, quanto da propaganda que vende essas porcarias como se fossem obrigatórias para você ser uma pessoa normal, iludindo quem não tem senso crítico suficiente para poder discernir entre o que é bom realmente e o que é veneno que ela está ingerindo.

Lamentável!” Continue lendo Muito além do peso

“Alô, alô distinta freguesia… está passando em frente a sua casa o caminhão da economia…”

 

é.. para quem mora no interior tem dessas coisas… a feira vem até você… o caminhão do gás também…
um saco de laranja por R$ 2,00… 3 sacos por R$ 5,00… laranja lima, laranja pera… banana nanica, bananas de todos os tipos…

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Leites Veganos / Leites Vegetais

Que o leite de outros animais (como o de vaca, por exemplo) é uma droga e não traz praticamente nada de bom para o seu organismo, todo mundo está cansado de saber, não é mesmo ? (se você não sabe, pesquise pela internet a respeito dos problemas de saúde causado pelos laticínios ou até mesmo assista ao vídeo do Dr. Lair Ribeiro sobre os “Mitos do Leite”:   www.youtube.com/watch?v=NYOeGQY0p98      )

Enfim, recebi na semana passada o livreto “Leites Veganos“, da Sônia Felipe  (gentilmente enviado pelos correios pelo Maurício Varallo) e nossa primeira receita caseira de leite vegano, ou seja, sem ingrediente animal, foi o leite de castanhas.

É super fácil de ser feito, clique nas fotos para ver o passo-a-passo:

Ou então assista ao excelente vídeo (em inglês, mas super fácil de entender):

Quer ver mais receitas ?  Confira:  vista-se.com.br/redesocial/category/rece…

e também:  www.cantinhovegetariano.com.br/2007/05/l…

 

Cuidando de um cachorro cego

Marcador de Obstáculos e Reforçador de Caminhos

Nossa querida Estrela está com quase 12 anos de idade, e totalmente cega.

Seguindo as orientações do Médico Veterinário Oftalmologista  (para saber mais, visite www.visiopet.com.br), passamos a usar marcadores olfativos pela casa para orientar a Estrela a se movimentar sem machucar-se pela casa.

Claro que o primeiro passo é realmente não deixar obstáculos no caminho, mas basicamente o processo é o seguinte: compre duas essências de sua escolha, dilua alguns mililitros da essência em um borrifador, e realize a aspersão da primeira essência nos obstáculos que ficam no caminho, por exemplo, batentes de portas, portas, paredes, móveis, etc… rapidamente o cachorro irá associar o odor da essência utilizada à presença de um obstáculo.

Paralelo a isso, utilize outra essência para reforçar o caminho que o cachorro utiliza  para chegar até o quintal, comida, cama, escada, etc… o processo é o mesmo !

Gastei uns R$ 5,00 em cada borrifador e outros R$ 5,00 em cada essência (usei uma de Citronela e outra de Erva Doce, para facilitar a diferenciação dos odores).

O cachorro (apesar de cego) é capaz de associar o odor da essência utilizada à presença de um obstáculo, e assim evitar a colisão, e com o “reforçador de caminho”, ele utiliza o odor da essência para se guiar.

No meu caso, borrifei o “marcador de obstáculos” nas portas, batentes, pés de cadeiras, armários, paredes…. já o reforçador de caminho está borrifado no tapete, escada, caminha da estrela, porta de saída, etc…

Impressionante como o animal rapidamente faz a associação e monta um mapa mental dos caminhos a serem percorridos !

Fica a dica ! E é claro, sempre consulte um Médico Veterinário (e se possível um especialista em Oftalmologia Veterinária) para cuidar do seu amigo peludo ! Muitas vezes o seu companheiro apresenta dificuldade na produção de lágrima (deixando os olhos ressecados e suscetíveis a processos inflamatórios), outras vezes apresenta alguma lesão na córnea (parte externa do olho)… sempre que notar alguma mudança de comportamento relacionada à visão ou alteração na morfologia do olho, consulte seu médico veterinário o mais rapidamente possível!

A Estrela, cega de ambos os olhos, sem possibilidade de correção cirúrgica.

 

Estrela e sua cama inseparável ;-)

Que tal ser um Doador Voluntário de Medula Óssea ?

E aí ? você já sabe da importância de ser um doador de sangue, e de medula óssea ? Já se cadastrou no REDOME  ?

É rápido e fácil, dura menos de 10 minutos e é bem mais simples que o processo da doação de sangue :-)

Confira os locais para ser um doador voluntário de medula óssea:  www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=26…

E talvez a leitura desse texto te incentive: www.altamontanha.com/Colunas/3700/pedido…

Faça sua parte, quem sabe você não ajuda de transforma a vida de outra pessoa ?

 

300Km

Logo irá fazer um ano desde que comecei com esse negócio de “audax”.

Subida dos Caracoles (Chile-Argentina): nada pode ser mais duro do que isso...

Subida dos Caracoles (Chile-Argentina): nada pode ser mais duro do que isso…

Eu, incentivado pelo amigo Artur Vieira, nem me inscrevi no “desafio”, já parti logo para os 200Km. (e confesso que foi sofrido !).

Eu pedalei esses 200Km com uma bicicleta urbana híbrida, apenas troquei os pneus 1.5 para os atuais 1.25, conheci muita gente legal (Toni, Sr. Richard, Michele Mamede, Vevê Mambrini, Fábio Tux, Mayara, Odir Ogro, Silas, Marcelo, Yasuda, Tatiana e Bruno e tantos outros…)
Enfim, depois acabei fazendo (brevetando) os 300Km e mesmo sem pedalar por mais de 2 meses (pois estava escalando), tive “coragem” de me inscrever no “brevet” de 400Km, que aconteceu em agosto desse ano.

Esse “brevet” de 400Km apresentava “logo no começo” a subida da serra de Corumbataí, na rodovia Washington Luís… uma longa e temida subida. Eu fiz pouco mais de 100Km nesse dia e como tudo doía no meu corpo (costas, bunda, pescoço, etc..) resolvi desistir (tendo a Tatiana como companheira rsrsrs).

Entretanto, voltei há cerca de duas semanas de um longo pedal pelo Chile e Argentina, e depois de ter encarado a subida dos Caracoles, com mais de 20Kg nos alforges, na fronteira entre o Chile e a Argentina, não tenho medo mais de nenhuma subida…rsrsrs

E aproveitando que faz semanas que não vejo minha filha (que mora em São Carlos), decidi unir o útil ao agradável: ir da minha casa (em Hortolândia) até São Carlos de bike , distante 150Km!!!

Preparei minha Caloi Sprint, coloquei um bagageiro (para levar roupa, comida, etc…), acordei as bem cedi e por volta das 06:15h da manhã comecei a pedalar.

O dia estava nublado e há medida em que eu pedalava, podia constatar que os 40 dias de pedal “pela Patagônia” surtiram algum efeito: eu me sentia forte :-) !

Fui (como diria o Fábio Tux): Socando a bota !

Fiz uma parada super rápida no primeiro posto de combustível da Washigton Luís, tomei um café e comprei uma garrafa de 1,5L de água (que coloquei no Bagageiro). Eu já sabia que o próximo posto de abastecimento seria junto à Polícia Rodoviária, distante mais de 50Km “de subida” de onde eu estava…

Até então minha média estava pouco acima dos 30Km/h, na subida da serra minha velocidade despencou para algo entre 16 a 18Km/h…

Cheguei sem qualquer problema (entenda-se: pneus furados ou falta de água rsrsrs) em São Carlos para almoçar :-) 150Km em 06:30h de pedal, dando uma média de quase 23Km/h.

Sentia um certo desconforto nas costas e no pescoço, afinal de contas, devia fazer uns 3 meses que eu não subia em uma “road bike” e a posição de pedalar é totalmente diferente de uma bicicleta de cicloturismo…

De noite comemos uma pizza e fui dormir.

Acordei no dia seguinte às 05:00h apenas para ver que o pneu traseiro estava no chão… troquei de camara e caí na estrada pouco antes das 06:00h.

E não é que tem um “sobe-e-desce” infernal, de quase uns 20Km ou 30Km antes do início da descida da serra ?

Desci a serra a limitantes 50 ou 55Km/h (isso é outra história… ter que apertar os manetes de freio nessa situação é uma tristeza só). E continuava na pressão, “socando a bota” !

Saí da Washington Luís e entrei na Rodovia dos Bandeirantes, entretanto, na altura do KM 156 da Rodovia dos Bandeirantes, vi na pista oposta um caminhão (desses bem grandes) freiando forte… assim que o caminhão parou, a porta abriu, o motorista desceu, deu uns 3 ou 4 passos (no acostamento, para a frente do caminhão) e “desmaiou” !!! Eu parei imediatamente a bike, atravessei o canteiro central e cheguei até o motorista em pouquíssimos segundos.

Vi que ele respirava, estava absurdamente assustado (ao ponto de nem conseguir conversar decentemente), etc… e enquanto eu ainda estava com o motorista, poucos segundos depois, passou um outro caminhão (da mesma empresa) que viu a cena (uma bicicleta no chão, o caminhão parado, uma pessoa deitada no chão com outra agachada do lado… deve ter pensando que o caminhão tinha atropelado alguém !).

os 300Km que separam minha casa de São Carlos (ida e volta)

Enfim, esse outro motorista também parou o caminhão (lá na freeeeente rsrsrs ) e o 2o. motorista veio correndo, mal chegou onde eu estava e eu falei pra ele:

- Pega minha bike e chama o Resgate!!! (pelo telefone do SOS que tem nas pistas).

Nem dei margem para o motorista argumentar… o telefone SOS ficava a uns 300 ou 400m da onde a gente estava…

Tinham que ver o “tiozão” camioneiro, com a barriga pra fora da camiseta, tentando pedalar uma bicicleta de estrada, com pedal de clip, etc.. e tal… parecia (coitado) uma “mula manca”…

O pessoal do resgate chegou em uns 5 minutos (a base deles fica no KM 150 da Bandeirantes, super perto !!!) e não é que a primeira suspeita era de infarto ?!

Fiquei só mais uns poucos minutos e continuei meu pedal para casa…Cheguei na minha casa novamente na hora do almoço, totalizando meus 300Km em pouco mais de 13h (ou pouco menos de 14h rsrsrs).

Tudo bem que foram 300Km divididos em dois dias de 150Km, mas comparando com o “brevet” dos 300Km (que fiz em Rio das Ostras, com umas 18:30h), certamente estou com uma pedalada mais forte (mesmo a bicicleta não ajudando rsrsrsr).

É isso… nem posso dizer que está sendo um treino (pois excentuando um pouco de desconforto no pescoço, não sinto absolutamente nada) rsrsrs.

Alguém que ir fazer comigo uns 130 ou 150Km aqui pela Bandeirantes ? A gente sai cedinho e volta pra “hora do almoço” !

Abraços !!

Rota :  http://goo.gl/maps/jbZmB

Bike pela Patagonia – Junin de Los Andes a San Carlos de Bariloche e Refugio Frey~ 250Km

Saimos de Junin de Los Andes quase na hora do nosso almoco.

De Junin (de Los Andes) a San Martin (de Los Andes) sao apenas uns 45Km, mas pegamos quase todo o trecho com vento contra (pra variar um pouco nao eh mesmo ?!).

Em San Martin ficamos em um hostel muito acolhedor (com o melhor chuveiro da viagem ate agora !) que foi o Hostel LaColorada (65  pesos/dia/pessoa).

A cidade de San Martin eh fantastica, com o belissimo lago Lacar e suas ruas planas e muita civilidade.

Passeando pela cidade conhecemos o Ingo (um alemao que havia feito Florida/EUA – Ushuaia entre outras coisas, totalizando uns 50.000Km de bike ao redor do mundo) e depois de muito pedalear por ai resolveu vir morar em San Martin de Los Andes, onde trabalha como guia de mountain bike, etc… Conhecemos tambem a Marysol, uma argentina muito simpatica que trabalha na loja BikeSports.

Nesse mesmo dia conhecemos o Luke Shoemaker, um americano que recem havia comecado sua viagem Patagonia-Alaska.

Combinamos para nossa primeira noite uma pizzada vegetariana e la pelas 21:30 o Ingo e a Marysol aparecem. Noite gostosa, com massa feita na hora, bruschetas e muito bate-papo.

O dia seguinte amanheceu muito ventoso (ventos de 65Km/h) e combinamos outro jantar: desse vez foi um macarrao com queijo, uma comida alema que obviamente nem sei falar o nome (algo como ketzpetsler).

Ficamos duas noites em San Martin, descansando e curtindo a cidade. Quando saimos de San Martin o Ingo fez questao de pedalar os primeiros quilometros conosco, fazendo pelo menos uns 20Km (de subida) conosco…

Pedalamos um tanto (nao me recordo da distancia) e encontramos um camping (que estava fechado).

No meio do caminho encontramos duas britanicas que estavam descendo ate Ushuaia…  os diversos caminhos rumo a Patagonia comecam a se estreitar e pelo jeito daqui para a frente vamos encontrar cada vez mais ciclistas fazendo essa rota classica do randoneeur mundial… rsrsrsrs

Enfim,pedimos autorizacao para dormirmos no camping e entao procuramos um lugar para ficarmos. Para nao termos que montar a barraca, decidimos bivacar em um banheiro que estava em construcao… nessa noite fez 5 graus negativos e acordamos com tudo congelado ao nosso redor… para tornar a noite mais interessante havia um pitbull que insistia em vir ver o que estavamos fazendo (e quem eh que tinha coragem de enxotar o bicho ?!).

No dia seguinte, acordamos tranquilos e em ritmo bem lento, esperando as coisas descongelarem… Assim que fomos sair descobrimos que o pneu traseiro da bike do Artur estava furado…

Depois de pedalearmos outro tanto chegamos em Villa la Angostura.

Logo na entrada da cidade encontramos um hostel (Hostel El Bolson) e fomos tambem muito bem acolhidos pelo Julio (proprietario).

A cidade de Villa La Angostura eh muito bonita e deve seu nome ha uma peninsula que ha no lago Nahuel Huapi, muito bem preservada e com uma bela floresta de pinheiros.

Do nosso hostel ate o lago (bahia brava e bahia mansa) sao apenas 12Km e passamos o dia descansando e aproveitando o visual espetacular.

Finalmente, de Villa La Angostura ate a cidade de Bariloche sao pouco menos de 90Km, que decidimos fazer em uma unica tirada.

Quase chegando na cidade o Artur eh parado por um cara que estava na beira do rodovia esperando por ele !!!

Vou explicar: a esposa desse cara havia nos visto pedalando pela estrada, e telefonou para o marido avisando que estavamos chegando… e ele entao saiu da sua casa, foi ate a rodovia nos esperar !

Depois de uma rapida conversa, ficamos sabendo que ele mantem uma ” casa do ciclista”.

Mas o que ‘e uma ” casa do ciclista”  ? Pois bem… ele compartilha sua propria casa para receber os ciclistas de todo o mundo que eventualmente passem por ali… (e nem preciso dizer que o Alejandro, vilho ” careca”  ou ” pelado”  tambem eh ciclista, ja fez Alaska-Patagonia, etc…).

Tivemos uma recepcao espetacular, com direito a jantar vegetariano com sua esposa (Feli) e seu filho (Leon). Muito obrigado pela grata recepcao amigos !!!

Andando a toa pela cidade (ou nao tao a toa assim, ja que o Artur precisava desesperadamente lavar as suas roupas rsrsrs) encontramos um casal de brasileiros, o Andre e Ana do www.facebook.com/pedarilhos, passamos apenas uns 3 ou 4 dias depois deles em Tunuyan e eles passaram no dia seguinte (ou algo assim) depois de nos em Las Lajas rsrsrsrs,  e finalmente, como essa regiao acaba se tornando um grande funil, acabamos nos encontrando por aqui.   O Andre e a Ana sao veganos e preparam suas proprias refeicoes (cozinham) todos os dias :-)

Falei que aqui eh como se fosse um grande funil ? Pois bem, encontramos ontem tambem outro casal (Holandeses) que haviamos encontrado em Mendoza…. sairam do Alaska rumo a Ushuaia…

Eu ja conhecia a cidade de Bariloche de duas outras viagens, e achei a cidade bastante deteriorada: muitas pichacoes, buracos nas ruas, praticamente todas as casinhas de telefone (orelhoes) destruidos, lojas e mais lojas com vidros quebrados e ao inves de trocarem, ficam remendando com fita adesiva… enfim, achei a cidade muito suja e muito feia. Notem que estou falando da infraestrutura urbana e isso talvez seja um problema de ma gestao publica!!!  Nem preciso dizer que o entorno – a natureza – eh algo impar.

Por ultimo, fizemos o trekking (que o Artur ainda nao conhecia) ate o refugio Emilio Frey, meca dos escaladores brasileiros, subindo pelo lago Gutierrez e voltando pelo caminho tradicional (cerro catedral), legal ver o lago Toncek congelado e tudo embaixo ainda de neve.

Minha viagem esta chegando ao fim… agora so resta bastante saudades de casa e dar mais alguns poucos roles de bicicleta por aqui.

Abracos a todos !

 

 

Bike pela Patagonia – Zapala a Junin de Los Andes (~205KM)

Pois bem, esse seria um pedal de uns 215Km e a ideia seria quebrar esse trecho de travessia de deserto (o ultimo para mim, ufa !!!) em tres dias, sendo que no primeiro iriamos pedalar uns 90Km ate uma escola albergue, no dia seguinte outros 90Km ate “La Rinconada” e por ultimo, os 30Km finais (de subida) ate Junin de Los Andes.

E o melhor de tudo: tinhamos a informacao de que nao precisariamos levar trocentos litros de agua pois encontrariamos riachos no meio do caminho…

Claro que as coisas nao sairam assim: no primeiro dia ja pegamos fortes ventos contrarios e laterais, inclusive tornando a pedalada insegura pois para mim ficava dificil controlar a bike com tanto vento!

Mesmo nas poucas descidas, tinhamos que pedalar para conseguir chegar a uns 20Km/h… nas retas e nas subidas dificilmente chegavamos a 10 ou 15Km/h.

Resolvemos parar em um pequeno pueblo mapuche (de 50 pessoas talvez) depois de apenas uns 70Km no primeiro dia.

Pedimos permissao e dormimos (e cozinhamos) em um salao comunitario, quase uma especie de igreja ou algo assim.

No dia seguinte acordamos bem cedo e saimos, nossa ideia era fazer os mais de 100Km que faltavam e fugirmos do vento, que costuma aumentar na parte da tarde.

Ledo engano… o vento ja soprava forte a partir das 10:00h.

O pedal simplesmente nao rendia, em varios trechos era mais vantajoso simplesmente descer e empurrar a bicicleta contra o vento.

Nuvens de chuva se formaram no ceu e apos pedalarmos pouco mais de 40Km (e com a chuva se aproximando e o vento so aumentando) resolvemos pedir carona.

Depois de um certo tempo um caminhoneiro parou, colocamos as bikes (na hora exata em que comecou a chover !) e fomos de carona ate Junin de Los Andes.

Estamos aqui ha 2 noites, descansando e esperando o tempo chuvoso melhorar. Segundo o prognostico amanha a probabilidade de chuva eh de apenas 20%.

Nossa ideia para os proximos dias eh adentrar ao Chile pelo paso Tromen, passando ao lado dos vulcoes Lanin e VillaRica, indo ate a cidade de Pucon. Depois retornarmos a Argentina para iniciarmos o Circuito dos 7 Lagos.

Ja percorremos quase 1500Km:  goo.gl/maps/nfZDo

As fotos a seguir foram tiradas pela Artur Vieira e estao no link abaixo

www.flickr.com/photos/arturvieira/sets/7…

Casal de alemaes que encontramos em Zapala, eles sairam ha 16 meses pedalando do Alaska…

Em algum lugar entre Zapala e Junin de Los Andes, atravessando o deserto

 

Dormindo e cozinhando em um centro comunitario de uma comunidade mapuche, a uns 90Km de Zapala

 

As bikes na carroceria de um caminhao: fugindo do forte vento contrario e da chuva no deserto

 

nosso (excelente) camping em Junin de Los Andes, esperando o tempo melhorar da chuva…

 

 

Bike pela Patagonia – San Rafael a Zapalla

San Rafael (dias 12 a 14 de outubro)

Como disse no outro post, ficamos em um muquifo bem safado em San Rafael (hostel Hypolito, nao recomendo de forma alguma).

O Horacio e sua esposa (a Laura) continuavam a nos surpreender, nos levando para passear pela cidade de carro durante a noite de sabado, nos levando para comermos sorvete, etc…

No domingo pela manha saimos de carro para conhecer o Canion do rio Atuel e o Valle Grande, um lugar muito (mas muito mesmo) bacana. Daria para ficar algumas semanas se divertindo e curtindo a natureza por la.

Fizemos um rapido trekking em umas das montanhas, apenas para termos certeza que ali merece uma visita bem mais demorada.

Depois da caminhada, almocamos com a familia do Horacio (sera que algum dia iremos conseguir retribuir tanta gentileza ?!) e como estava prestes a iniciar um temporal, fomos para a rodoviaria por volta das 15:00h.

haviamos comprado anteriormente bilhetes de onibus para fugir de um trecho muito ruim da Ruta 40 e tambem para que fosse possivel (no meu caso) curtir com mais calma toda a regiao dos lagos.

Nosso onibus saiu um pouco atrasado, quase 20:00h e quase as 05:30h do dia seguinte (15/outubro) chegamos em Chos Malal.

Detalhe: viajamos pela empresa Tramat, em um onibus velho e muito ruim, com tudo muito sujo e sem conforto…

Chos Malal – Chorriaca (15 de outubro, ~ 85Km)

Dormimos um pouco na rodoviaria de Chos Malal enquanto esperavamos o dia esquentar um pouco. Cidadezinha pequena sem quase nada.

Tomamos um cafe e algumas medialunas em um posto de gasolina, abastecemos nossas garrafas de agua e caimos  na estrada.

A estrada nao tinha maiores surpresas, um pouco de vento contra, paisagem sempre muito monotona e algumas subidas.

A travessia do deserto (acho que eh o deserto del Salado) tem quase 180Km e planejamos fazer isso em dois dias.

Ao final desse dia chegamos em um pequeno pueblo, com menos de 500hab, que fica uns 3 ou 4Km afastado da Ruta 40, o nome do Pueblo e Chorriaca.

A vila era espetacular, com uma grande quantidade de vegetacao (gracas a irrigacao), tudo muito limpo e organizado. Acho que deve ser um pueblo modelo pois eles tinham biblioteca, centro comunitario, delegacia de policia, posto de saude, estacao emissora de FM…

Fomos pedir autorizacao para uma noite de pouso na delegacia de policia e fomos gentilmente recebidos pelo Chefe de Policia, o Sr. Ramon.

Com muito orgulho da comunidade Mapuche (uma etnia indigena) ele nos apresentou a delegacia, nos deixou usar a cozinha, os sanitarios, etc…

Com muito custo ele conseguiu 3 ovos para mim e para o Artur, ele preparou um tipico “asado”  argentino com quase 1Kg de Chorizo.

Ficamos batendo papo ate umas 22:00h quando fomos finalmente dormir.

No dia seguinte acordamos por volta das 07:00h e arrumamos as coisas e tomamos um cafe e mate.

O outro policial logo chegou e nos levou ate a estacao de FM para que pudessemos ser entrevistados…

Saimos da cidade por volta das 11:00h, rumo a mais um trecho de deserto.

Chorriaca – Las Lajas  (16/outubro – ~ 90Km)

Saimos tarde de Chorriaca e o pedal meio que nao rendia… vento contra durante todo o percurso, bastante subidas e descidas e subidas e mais descidas…

Las Lajas eh uma cidade pequena no meio do nada, mas muito bem organizada. O camping municipal eh muito bonito e tem um excelente chuveiro.

Sequer nos demos ao trabalho de montar barraca: dormimos na area de refeicoes do camping.

Saimos relativamente tarde, quase meio-dia, rumo a Zapalla.

Las Lajas – Zapalla (17/outubro – ~ 60Km)

O dia comecou com uma subida bem forte…A saida de Las Lajas ja comeca com uma subida interminavel, facil com pelo menos uns 10Km ou mais de subida continua e forte…

faltando menos de 15Km para chegarmos em Zapalla meu pneu traseiro esvazia: mais uma camara furada…

Eu ja vinha me sentindo bem fraco (alimentacao ruim) e demorei uma eternidade para retirar a roda, trocar a camara, encher o pneu…

Chegamos em Zapalla (dia 17)bem cansados, pela primeira vez desde que comecamos a pedalar, o Artur reclamou que as pernas dele estavam pesadas… rsrsrsrs

Acabamos indo parar em um hotel do exercito. A cidade nao tem nenhum infra para turismo e existe uma cartelizacao local para os poucos servicos oferecidos. Pagamos escorchantes 120pesos (cada um) para dormirmos em um lugar minimamente decente. A cidade tampouco possui camping municipal (ou melhor, ate possui, mas nao tem nenhum cuidados e os banheiros estao fechados…).

Vale dizer que de longe Zapalla esta sendo a cidade mais cara de todas ate agora, consegue ser mais cara que Santiago do Chile ou Mendoza. Um melao no supermercado custa mais de R$ 15,00, e isso s’o para voces terem ideia do nivel das coisas por aqui… (e resolvemos ficar cozinhando no Hotel).

Acordamos na manha do dia 18 de outubro bem cansados e resolvemos ficar mais um dia em Zapalla para descansarmos e comermos melhor.

Agora falta exatamente 200Km (de travessia de deserto) para chegarmos em Junin de Los Andes.

Nossa ideia eh fazermos 90Km no primeiro dia e dormirmos em uma escola que ja sabemos que existe ” na beira da estrada” . No outro dia a ideia e fazermos quase 80Km ate um rio que antecede a chegada em Junin de Los Andes e por ultimo, no terceiro dia, deixaremos para fazer os ultimos 30Km (de subida constante) e assim chegarmos durante o dia em Junin.

De Junin de los Andes iremos cruzar o “paso”  Tromen e entraremos no Chile, a ideia eh irmos ate VillaRica, subirmos o vulcao Lanin e/ou o VillaRica e voltarmos tambem pelo ” paso”  Tromen ate Junin de Los Andes, para entao iniciarmos o circuito dos 7 lagos…

Pedalamos ate agora uns 880Km e nosso trajeto pode ser visto aqui: goo.gl/maps/35kib

Os relatos do Artur (com outras fotos) estao no blog dele:  http://pedalamerica.wordpress.com/

*clique nas imagens para ampliar e ver a descricao*

Bike pela Patagonia – Puente del Inca a San Rafael

Puente  del Inca – Uspallata – 72Km  (05  e 06 / outubro)

O dia en Puente del Inca amanhece bastante esquisito, com muitas nuvens no ceu e um razoavel vento contrario… nada promissor..

Comecamos a pedalar e pouco-a-pouco vamos descobrindo que o caminho ate Uspallata e praticamente de descida !

Logo o Artur dispara na frente e em uma das descidas atinge incriveis 81Km/h.

Paramos para comer um belo lanche de biscoitos agua e sal, com maionese, café e cha. Essa parada providencial foi fora da estrada, logo apos passarmos por um tunel desativado.

Chegamos relativamente cedo na cidade de Uspallata e nos alojamos no excelente camping municipal da cidade  (fica a dica), onde pagamos apenas 20 pesos por noite.

O dia seguinte tambem foi de descanso, curtindo o visual da cidade e o clima do camping, aproveitamos ainda para fazer compras de supermercado.

Uspallata – Mendoza (45Km, dia 07/10)

Depois de conhecermos um alemao (que inclusive estava com uma bela bicicleta de titanio), decidimos ir para Mendoza pela rota 52, ao inves da tradicional rota 7.

A rota 52 e uma rota de ripio (consolidado) que passa por Villavicencio.

O comeco e de pura subida, nao muito forte, mas bem constante. Ao longe viamos nuvens e ja antecipavamos o tempo ruim.

Chegamos ao paso (ponto mais alto do trecho, onde cruzamos a cadeia montanhosa para o outro lado) bem cansados. O vento frio estava bem intenso, com um viento blanco (neve com vento) e iniciamos a descida com uma sensacao termica de uns 10 graus negativos.

Logo a neve se transforma em chuva, `a medida em que vamos perdendo altitude e ganhando temperatura.

Os freios v-brake e caliper do Artur e do Tux comecam a se desmanchar igual manteiga em virtude da combinacao mortal de areia+neve.

Chegamos quase com hipotermia (e obviamente muito, muito frio) em Villavicencio.

Tomamos chocolate quente, comemos alguma coisa e tentamos (em vao) conseguir uma carona com os guarda-parques ate a cidade de Mendoza (apenas 45Km de distancia).

Os guarda-parques estavam vendo um jogo de futebol e ninguem sequer teve a decencia de tentar ajudar-nos. Ao menos duas grandes camionetes permaneceram estacionadas na policia…

Voltamos a Villavicencio e explicamos a nossa situacao (de frio) ao dono do restaurante, e este

Muito gentilmente nos levou ate a porta do nosso hostel quando encerrou o movimento.

Chegamos finalmente em Mendoza por volta das 22:00h. Fizemos

Nesse dia fizemos “apenas”  53 km.

 

Comecando o dia, saindo de Uspallata pela RP52 ate Villlavicencio

Looongaaaaa subida….

Dura subida ate o "paso"  rumo a Vi

Neve com Viento Blanco no Paso

Descida com neve e chuva, ate o restaurante de Villavicencio, onde chegamos com muito frio

 

Mendoza (dias 08 e 09 / outubro)

Mendoza ‘e uma cidade linda, planejada e com diversos parques, todos muito arborizados.

O dia amanheceu chuvoso e com tudo fechado, pois era feriado.

Lavamos as bikes, as roupas, etc…

No dia 09/10 o dia comecou bonito e melhorando.

Fomos ate a rodoviaria nos despedirmos do Tux, que iria retonar a Santiago e na sequencia ao Brasil.

Fizemos uma ultima revisao e troca de pecas nas bikes, essa revisao foi feita na praca Independencia, ja que a dona do Hostel Independencia nao gostou de nos ver limpando e mexendo nas bikes na area comum do hostel…

Mendoza – Tunuyan – 85Km (dia 10/outubro)

Saimos seguindo mais uma vez o GPS e depois de alguns minutos pedalados ja estavamos na rota 40. Passamos por diversos vinhedos e por Lujan de Cuyo, e as poucos fomos adentrando no vale do Maipu.

Chegamos em Tunuyan sem maiores percalcos e fomos para o Camping Municipal. Gentilmente o senhor que cuidava do local nos ofereceu uma especie de quarto (vazio, claro) para usarmos, e mais do que isso, de graca.

Ficamos sabendo que poucos dias antes de nos um casal de brasileiros – que tambem estao indo a Patagonia de bike – ficaram durante uns quatro dias ali descansando e se abrigando da chuva.

Tunuyan – San Rafael – ~175Km (dias 11 e 12 / outubro)

Ja sabiamos que este trecho seria um desafio de outro nivel pois teriamos nosso primeiro trecho de deserto. De um lado ha toda a cordilheira do Cordon del Plata que bloqueia qualquer humidade que permita a vida, e isso acaba tornando toda a regiao muito, muito arida, e onde a vida so e possivel com irrigacao e uso de canais de captacao de agua.

Enfim, pela rota 40 – que nesse trecho eh de ripio – economizariamos uns 50km mais ou menos, mas logo ao comecarmos a pedalar pela rota 40 vimos  que nao seria algo factivel.

Retornarmos e entramos pela rota 143.

Todos os rios e riachos secos, o solo arido e seco como o nosso sertao nordestino. 170Km sem nenhum ponto de agua, civilizacao ou qualquer posto de abastecimento.

Apos pedalarmos por 90Km (no primeiro dia) dormirmos atras de uma torre de celular, que tinha uma parede de alvenaria que nos ajudaria a nos protegernos do vento.

Nossa agua ha muito ja havia acabado, e nossa salvacao passou a ser entao as oferendas de agua para a “difunta correa” . Coletavamos agua na medida em que iamos encontrando estes pequenos santuarios no decorrer do caminho.

No segundo dia da travessia do deserto da San Rafael fizemos 85Km, sendo recebidos ja quase na entrada da cidade por um grupo de mountainbikers.

Eram o Horacio, sua esposa Laura e o Marcelo.

Tivemos uma rapida conversa e depois de conversarmos um pouco, perguntei onde haveria uma bicicletaria, pois o Artur precisava comprar sapatas novas de freio e eu eventualmente precisaria revisar o cubo dianteiro da minha bike.

O Horacio gentilmente disse que ele tinha um jogo de sapatas v-brake em sua casa, e para la entao nos dirigimos.

Sua esposa nos ofereceu um maravilhoso lanche e de forma despreendida o Horacio estava nos dando um kit completo de freios Avid… o Artur recusou o presente (os freios Avid eram bem superiores os freios Deore que estao na Surly do Artur) e aceitou apenas as sapatas.

Como surpresa final, esta familia nos convidou para um “ asado”  argentino a noite em sua casa… Nao havia como recusar!

O Marcelo foi conosco ate o centro da cidade e logo nos hospedamos no Hostel Hypolito, um muquifo que apesar de bem localizado (no centrao mesmo), tenho minha duvida se vale os 60 pesos que pagamos…

Update: fizemos ate o momento cerca de 650Km, isso dando conta dos 60Km que rodamos no primeiro dia em Santiago…

Nosso trajeto pode ser visto aqui: goo.gl/maps/ko5OO

*clique nas imagens para ampliar e ver a descricao*

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