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Blog do Davi Marski

Blog Pessoal do Davi Marski – idéias, escaladas, pensamentos e filosofia barata…

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20
mai '10

Ambientalismo, Eleições, Montanhismo… tudo a ver !!!

Eu sou leitor assíduo dos textos do economista Hugo Penteado, ele escreveu um texto que realmente me marcou :

nossofuturocomum.blogspot.com/2010/02/pt…

Não me “contive” e mandei um email para ele :

Hugo…

putz.. ler este seu ultimo post, com as palavras do (ex-frei?!) Boff me angustiou profundamente… sou um ativista pelos direitos dos animais e ambientalista, e apesar de estar longe da expressão alcançada por você, e apesar de tentar viver o lema do Gandhi “Seja você a mudança que deseja ver no mundo” , a impressão pessimista que tenho é que você, a Nina Rosa, o Carlos Nobre (e tantos outros, até mesmo a Marina Silva) são apenas pequenas vozes dissonantes do grande pensamento global.

Consumir, consumir, consumir… procriar, procriar, procriar… a massa popular só pensa nisso. Nesta semana vi nos jornais a notícia que o “consumo de carne” deve aumentar nos próximos 10 anos… aff… me dá asco saber que as pessoas só pensam em consumir cada vez mais, gerar mais descendentes…

Angustia-me ver que pessoas que pensam como você (e eu) talvez só sejamos lembrados daqui a 10, 20 anos quando alguém olhando para trás puder apontar : – Ei… olha só… um tal de Hugo Penteado já escrevia sobre isso a 20 anos atrás…

Afff… foi só um desabafo. Estou definitivamente perdendo a esperança (e deveríamos ter ?!) na espécie humana.

“feliz” é o Tonto (Maurício Clauzet) que definitivamente mudou-se para dentro do Itatiaia…

Abraços e ótima semana,

Davi Marski

E na sequência, a resposta do Hugo Penteado, que por si só é outro excelente artigo (editei algumas partes para proteger a privacidade de nós dois)  :

Davi,

Você tem toda razão. Quando leio Boff, mil anos luz a frente do nível espiritual planetário, e David Korten, vejo eles como emissários, mas incapazes de deter a tragédia. Ninguém pensa como eles, o negócio é ter.  Todos são contra a guerra mas ninguém abre mão das coisas que só a guerra traz, escreveu alguém…  Eles falaram para Lula, para Obama. Não adianta nada. Dilma idem. Não os vejo como inimigos, mas o modelo mental deles é falho. É a jornada para a morte coletiva.

Ontem fui zappear na net, não tenho feito isso, pq sou um radar de notícias ruins.  No O Eco tem uma matéria sobre os projetos megalomaníacos para a Amazônia na Venezuela, o mesmo há para o Brasil e o Smithsonian já alertou que esses projetos irão acabar com a Amazônia em poucos anos.  Sem a Amazônia todos estaremos mortos. É o que eu falo no programa frase final do Guto Abranches na Globo News. Falarei isso sempre.

E comecei a ler o livro do Yunus (O Banco dos Pobres – não pense que eu leio muito, minha rotina são 12 horas prá mais no banco para ajudar a destruir o planeta inteiro e deixar os ricos mais ricos porque não estão satisfeitos com os bilhões que possuem…).  Dá para relacionar Yunus, programas de caridade, idéias de governos, instituições internacionais e consultorias privadas, com obras faraônicas e como tudo isso não tem nada a ver com resolver o problema social e de pobreza, apenas serve de subsídios para os mais ricos.  É de uma tristeza tão profunda quando constato isso que nem consigo chorar de lamento.

Estava também com o livro que espero ter esquecido no banco do André Gorz, Misérias do Presente, fala do fim do trabalho e como estamos tentando ressuscitar um sistema que não existe mais e ele nos convida para ir por outros caminhos. Será que não é o que o Maurício “Tonto” Clauzet  fez?

Surreal, tudo que é óbvio (sindicados defendendo direitos dos trabalhadores) não passa de uma mentira, de algo totalmente falso, pró-sistema que já implodiu.

Se abrirmos os olhos que nos fecharam, vamos ver que tudo, mas tudo mesmo, é falso, a começar pelas coisas que a mídia martela na cabeça de todos.  Ainda bem que há a mídia transversal, de alguns poucos, que chega a nos trazer um pouco da verdade e quem nela se aferra, fica muito mas muito pesaroso, pessimista, é tudo tão nefasto que assusta, porque não é um processo aqui ou acolá, é em todos os lugares.

Estamos com um comportamento de pragas, como já concluíram os biólogos sérios, no famoso artigo The Planet of Weeds: são quatro ervas-daninhas planetárias: pombo, rato, barata e ser humano.

A felicidade do ‘Tonto” espero que seja minha um dia, mas quero fazer um trabalho semelhante ao do Yunus em Itatiaia, onde os jovens se matam quando gangues se encontram, há drogas, renda per capita baixa, sem oportunidades, as pessoas trabalham até morrer caídas ou se destroem na violência social antes disso.

É um mini-exemplo da nossa grande cidade, mas pior, porque lá não dá para esconder.  O Brasil do pré-sal, das Olímpiadas com escolas caindo as pedaços sem quadras poliesportivas, da Copa, é uma grande mentira. O Brasil e o mundo é uma grande mentira.

Mesmo que eu tenha a clara e opressiva impressão que estamos vivos dentro de um manicômio, acho que devemos jamais desistir. Qual mistério maior há o de estarmos aqui e de nem sabermos de onde viemos nem para onde vamos?  Juro – e parece loucura – que às vezes acho tudo isso uma armadilha dimensional no qual nossos espíritos falhos foram presos para aprender uma lição e que tal realidade tão chocante não seria possível de existir em lugar algum do universo e que não passa por tanto de uma quimera, que quando “morrermos”, iremos sentar em uma cama e pensar: “Nossa, estávamos sonhando.”

Minhas últimas palavras para você é o que eu digo a mim mesmo todos os dias quando acordo nessa cidade, pego ônibus para ir para o trampo e olho os rostos tristes dos que ganham pouco e nada se justifica para eles e tento não sofrer: seja forte. Vejo o abandono, rezo, faça seu pequeníssima e mísera parte, mas seja forte.

…(parte editada)… Admiro muito a coragem quando a vejo por aí, principalmente em alguns homens e mulheres que cruzam meu caminho sabedores de tudo e mesmo assim de pé. É uma proeza e tanto.  Mas cruzo também os sofredores que vagam por aí quase falando sozinhos. Há de tudo nesse mundo, somos diversos.

…(parte editada)… Eu acredito só na vida.  Posso não fazer nada de interessante e morrer em dívida, mas sempre acreditarei só na vida e é isso que quero levar comigo sempre.

Tudo que vive merece viver, mas em harmonia, sem se multiplicar como células cancerígenas num sistema vivo – Terra – que não sustenta esse tipo de comportamento de praga.

Força,

Abraço Hugo

Aproveito para reproduzir o texto do Hugo Penteado :

PT: Qual a Grande Transformação?

Leonardo Boff

Não sou membro do PT mas um cidadão que se interessa pelos destinos
do nosso pais, nos últimos sete anos moldados pelo governo Lula.

A campanha eleitoral se iniciará oficialmente dentro de pouco. Há o
grande risco de que predomine um espírito menor, diria quase infantil,
de uma campanha plebicistária entre os feitos do governo de FHC e
daquele de Lula. Seria a disputa tola entre o ontem e o anteontem ou
entre o atrasado e o velho, como preferem alguns ecologistas. Pois
ambos os contendores, na relação desenvolvimento e natureza, manejam o
mesmo paradigma, sob severa crítica mundial, por conter o veneno que
nos pode matar. Isso só serviria para distrair os eleitores dos
verdadeiros problemas que o Brasil e o mundo irão enfrentar.

Uma disputa eleitoral séria, à altura da fase planetária da humanidade
e da importância fundamental do Brasil dentro dela, não deveria estar
voltada para o passado a ser continuado mas, sim, para o futuro a ser
construido coletivamente. Quem apresenta o melhor projeto de Brasil
para o nosso povo e em sua relação para com a nascente sociedade
mundial? Que contribuição essencial podemos dar face aos cenários
dramáticos que se desenham no horizonte?

Permito-me apresentar três sugestões para animar a discussão interna
do PT. O lema do encontro nacional – A Grande Transformação – nos
remete Karl Polanyi com o clássico livro do mesmo título (1944) no
qual mostra como a sociedade virou uma sociedade de mercado,
transformando tudo em mercadoria. Não será essa a Grande Transformação
pensada pelo PT. Para que seja outra coisa, o partido deve assumir
seriamente este fato irrecusável: A Terra mudou porque já estamos
dentro do aquecimento global. A roda não pode mais ser parada, apenas
diminuir-lhe a velocidade. Se o termômetro da Terra subir para mais de
dois graus Celsius, nos próximos decênios, como previstos pelos
melhores centro de pesquisa, enfrentaremos no Brasil e no mundo a
tribulação da desolação. Muitos projetos já concluidos do PAC poderão
ser anulados. Não incluir em todos os planejamentos este dado é
mostrar falta de inteligência prática e irresponsabilidade histórica.
Do contrário teremos que aceitar a maldição de nossos filhos e filhas
e de nossos netos e netas.

Outro dado não menos perturbador é: a insustentabilidade do
sistema-Terra. A partir de 23 de setembro de 2008 ficamos sabendo que
o planeta Terra ultrapassou em 30% sua capacidade de repor os bens e
serviços necessários para a vida. Estamos consumindo hoje o que
precisaremos amanhã. Se quisermos universalizar o nivel de consumo das
classes médias mundiais, incluidos os oitenta milhões de brasileiros,
precisaríamos já agora de três Terras iguais a esta. Este modelo de
crescimento, como parece subjacente ao PAC, mostra a sua inviabilidade
a médio e a longo prazo. Não é que deixemos de produzir. Devemos
produzir mas dentro de um outro paradigma menos depredador do
sistema-Terra, com um acordo de respeito à suportabilidade de cada
ecossistema e com uma ampla inclusão social, imbuidos todos de uma
ética do cuidado, da responsabilidade universal e da busca do bem
viver para todos.

Por fim, o PT precisa conscientizar o fato de que o Brasil é,
seguramente, o pais-chave para o equilibrio do Planeta. Ele é a
potência das águas, o detentor das maiores florestas, as grandes
sequestradoras de dióxido de carbono e reguladoras dos climas, com
imensa biodiversidade e vastas terras agricultáveis, podendo ser a
mesa posta para as fomes do mundo inteiro, com capacidade incomparável
de gerar energias alternativas e com um povo altamente criativo, que
fez um ensaio civilizatório dos mais significativos, não imperialista,
e com uma visão encantada do mundo que lhe permite, no meio das
contradições. celebrar suas festas, torcer por seus times e dançar
seus carnavais, características essas decisivas para conferir um rosto
humano à mundialização em curso.

O futuro passa por nós. Não percebê-lo por ignorância ou distração é
não escutar os apelos da Mãe Terra e é defraudar seus filhos e filhas,
nossos irmãos e irmãs que apenas pedem singelamente viver com
decência.

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