RCP – Novas diretrizes no APH/PHTLS

Já fiz alguns cursos de APH  (Atendimento Pré-Hospitalar), incluindo um curso bem extenso de Suporte Básico de Vida na Unicamp e também um curso de PHTLS (PreHospital Trauma Life Suport) e irei fazer um curso de WFR – Wilderness First Responder, um curso de 80h ministrado pelo pessoal da WMA (Wilderness Medical Associates www.wildmed.com/first-response/wildernes… ).

Uma das coisas que você acaba vendo nesses cursos é a RCP – Ressucitação Cárdiopulmonar (e recentemente teve o nome alterado para RCPC – Incluindo a palavra “cerebral” no final, por motivos óbvios).

Quase todos os protocolos mundiais de RCP/RCPC seguem as diretrizes da American Heart Association – AHA  (http://www.heart.org), e eles de tempos em tempos – baseados nas estatísticas de taxa de sobrevida e em pesquisas atualizadas – alteram as recomendações e protocolos internos.

No meu último treinamento de PHTLS o protocolo para atendimento em caso de parada cardiorespiratória era de 30 compressões torácicas e 2 ventilações, ou seja, 30X2. Isso independente de ser um ou mais socorristas.

Em 2010 a American Heart Association entrou em consenso que a RCPC é um fator determinante para o retorno da circulação espontânea e da sobrevivência com função neurológica satisfatória,  e em virtude disse a frequência de compressões torácicas foi alterada para até 18 segundos e uma depressão torácica de pelo menos 5 cm (comprimir rápido e forte no centro do tórax, minimizando as interrupções).

Neste último protocolo de 2010 não houve alteração sobre a relação compressão-ventilação (30:2), porém a seqüência  de procedimentos (chave mnemônica) de suporte básico de vida de A-B-C (abertura de vias aéreas, boa ventilação, circulação/compressões) foi alterada para C-A-B (ou seja, circulação/compressões, abertura de vias aéreas, boa ventilação).

É fundamental que em caso de atendimento à uma PCR se iniciem imediatamente  as compressões a fim de aumentar sua sobrevida e evitar eventuais lesões cerebrais, não perdendo tempo com as ventilações. As ventilações no novo protocolo -de 2010- se tornam secundárias no atendimento inicial. A quantidade de ciclos se mantém inalterada (5 ciclos de 30 compressões torácicas para duas ventilações) independente da quantidade de socorristas.

Um vídeo muito didático com as novas diretrizes pode ser visto em : www.youtube.com/watch?v=O9T25SMyz3A

Uma das mudanças no novo protocolo é a verificação do procedimento “ver-ouvir-sentir se há respiração”, que foi abolido da seqüência de avaliação da ventilação após a abertura das vias aéreas. Com a nova seqüência, em substituição à técnica anterior, o socorrista verificará rapidamente a respiração do paciente, com o intuito de confirmar sinais de PCR.

As novas recomendações da AHA para atendimento à uma PCR são:

1- Reconhecimento da PCR e ação imediata;

2- Início da RCPC precoce, enfatizando o novo protocolo;

3- Uso do DEA (desfibrilador automático) assim que disponivel;

4- Cuidados Pós-PCR.

O 4° passo salienta o atendimento intra-hospitalar e é uma das novidades mais comemoradas do novo protocolo, divulgado pelo ILCOR (International Liaison Committee on Resuscitation) e validado pela AHA, que sistematiza os cuidados pós PCR, otimizando a função hemodinâmica, neurológica e metabólica, aumentando a taxa de sobrevivência à alta hospitalar entre as vítimas que obtiveram retorno da circulação espontânea (RCE) após a PCR.

Um texto muito didático (em inglês) com as novas diretrizes pode ser visto em www.webmd.com/heart-disease/heart-failur… e em português um link muito útil é www.prehospitalar.com.br/portal/index.ph…

Vale dizer um adendo: quase todas as paradas cardiorespiratórias são causadas por fibrilação ventricular, e que se não for possível retomar um rítmo cardíaco em uns 10 a 15 minutos através da RCPC, a vítima somente terá uma possibilidade de sobrevivência caso haja um DEA/Desfribiliador acessível, o que é claro, no ambiente selvagem (natural) é impossível de se obter…

No ambiente natural outras causas possíveis para uma PCR são o trauma mecânico (e para isso a RCPC pode funcionar muito bem) ou alguma reação anafilática à picadas de insetos, nesses casos, a administração imediata (e eventualmente concomitante) de adrenalina (epinefrina) é o protocolo a ser seguido, antes mesmo de iniciar-se os sintomas ou mesmo uma PCR em vítimas conhecidamente alérgicas.

As novas diretrizes para a RCPC podem ser vistas em (português):
www.heart.org/idc/groups/heart-public/@w…

E você, já pensou em fazer pelo menos um curso de 16 ou 20h de “primeiros socorros” ?

Por último, um fluxo didático dos procedimentos de RCP:

 

 

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10 Comments

  1. Agradeço pelas informações atualizadas, as mesmas me ajudou a passar em provas para vagas de emprego na enfermagem.

    Bom final de ano para vc .tudo de bom!

  2. Olá parceiro…! Sou Bombeiro Profissional Civil Lei 11.901/2009,realizei um curso de treinamento APH/PHTLS,e lá disseram e ensinaram q minha profissão permite aplicação de O2 (oxigênio) atravez de cânula naso faringe,ou oro faringe,e se tambem existem parametros legais para executa-la.
    Desde já agradeço pela atenção.

  3. Olá, sou enfermeira.Parabens pelo site e pela contribuição e disseminação de informações valiosas. Gostaria de saber se voçe tem em pdf o livro PHTLS e se disponibilizar.

    Obrigada!

  4. oLA.. GOSTARIA DE SABER COMO É REALIZADO O CURSO PHTLS? FOI FAZER EM NOVEMBRO, E ESTOU UM POUCO RECEOSA! A AVALIAÇÃO É MUITO DIFÍCIL? OBRIGADA

  5. Estive Olhando Seu Site,E Gostei Muito. Tem Muita Coisa Que Com Certeza Me Ajudara Nas Provas De Avaliações Que Vou Fazer. Sou Condutor Socorrista No APH.

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