Petzl MyoXP – Arrumando o vício oculto (qualidade ruim do cabo e erro de projeto)

(aproveite e veja um outro artigo que escrevi sobre headlamps: www.blog.marski.org/?p=1393 )

Essa semana arrumei pela 5a. vez uma lanterna Petzl MyoXP.

Essa lanterna de cabeça tinha a proposta de ser uma solução “state-of-art” para utilização em alta montanha, corrida de aventura, etc…

Pois bem, a lanterna realmente é excelente, não fosse um pequeno detalhe: elas param de funcionar !

O problema acontece devido ao projeto do cabo elétrico utilizado para unir o compartimento das pilhas/bateria ao corpo emissor de luz.

É um cabo chato, rígido, que depois de um certo tempo de uso, simplesmente rompe os filamentos de cobre internos. Ou rompe a solda junto à placa de circuito impresso da lanterna. Ou rompe os fios no corpo da lanterna. Ou tudo quase ao mesmo tempo.

Enfim, do jeito que ela foi projetada não é uma lanterna confiável. E isso em alta montanha pode custar a sua vida.

Se você pesquisar na internet, verá que esse é um problema do qual a Petzl possui conhecimento, para citar alguns exemplos:

Parece (não tenho certeza disso) que esse problema já foi “arrumado” ou “corrigido” pela Petzl, e os modelos fabricados a partir de junho de 2010 não apresentam mais o cabo chato, sendo que agora o cabo é redondo, inclusive revestido com fios polipropileno (para aumentar a flexibilidade). Vale dizer que no site da Petzl ainda é exibida a foto do MyoXP com o cabo chato…

Veja o problema do fio partido:

Cabo partido - problema do vício oculto das lanternas de cabeça Petzl MyoXP

 

E veja o novo modelo da MyoXP, onde agora o cabo é redondo (verifique isso antes de arriscar comprar a sua !):

Cabo Redondo nos novos modelos

 

Novo cabo, com os detalhes dos filamentos de polipropileno e a melhor qualidade do cabo

 

Enfim… caso a sua MyoXP tenha apresentado problema,  o processo para arrumar a lanterna é um pouco trabalhoso: Você deve abrir o corpo da lanterna (com cuidado, claro) utilizando chaves “torx , T-6″.

Ao retirar o corpo da cabeça da lanterna, muito provavelmente o defeito estará logo visível (as imagens a seguir são da lanterna que acabei de arrumar do Pedro Hauck):

Corpo da lanterna, retire os 4 parafusos "torx" para ter acesso ao interior

 

Notem duas coisas nessa imagem: a pouca quantidade de pasta térmica no dissipador e conseguem ver o fio partido ?

Detalhe do fio partido, bem próximo à placa de circuito impresso

 

Vale dizer que não adianta você simplesmente refazer a ligação (com solda, claro) do fio na placa de circuito impresso.. o problema é o fio que é rigido demais e o fato dele ser plano… ele irá partir novamente se você fizer isso !

A solução agora é trocar totalmente o cabo. Utilize um cabo redondo, da melhor qualidade possível. Eu utilizei um cabo de computação, utilizado em transmissão de dados entre uma unidade de leitura ótica (CD-ROM) e a entrada de áudio de uma placa-mãe de computador.

No compartimento das pilhas/bateria, é outro problema… ali há um diodo. Verifique se o diodo *ainda* está funcionando… se estiver queimado, você terá que troca o diodo ou então ligar o novo cabo diretamente na entrada dele.

Lembre-se de repassar pasta térmica no dissipador de calor, nas lanternas que abrir a quantidade original era ridícula.

Bom… teste rapidamente o funcionamento da lanterna antes de remontá-la.

Confira as fotos de uma MyoXP depois de todo esse trabalho:

A lanterna já arrumada, com um novo cabo

O cabo original foi totalmente substituído... ;-)

Por último, sei que fora do Brasil (vendo os relatos já citados acima) vários países andaram fazendo a troca e/ou o reparo das MyoXP que apresentaram estes problemas. Parece que não foi o caso aqui no Brasil.

Eu *não* recomendaria a compra deste modelo. Nem é a questão do cabo (que atualmente deve estar corrigido na linha de produção da  Petzl) e sim da falta de estanqueidade do conjunto. Ela mal e mal é resistente à agua… e a placa de circuito impresso não possui qualquer tipo de proteção contra corrosão.

Por falar em corrosão, você pode aplicar uma fina camada de silicone em cima de todo o conjunto da placa de circuito impresso quando estiver reparando… ;-)

Minhas recomendações para lanternas de cabeça atualmente seriam (sem qualquer ordem de preferência):

com compartimento externo para baterias:

  • Black Diamond Icon
  • Princeton Tec Apex
   

Black Diamond Icon

Princeton Tec Apex (existe uns 3 ou 4 modelos de Apex, todos excelentes)

e os modelos compactos:

  • Princeton Tec EOS  (tenho uma e é excelente, falo extensivamente dela nesse outro artigo:  www.blog.marski.org/?p=1393 )
  • Petzl Tikka XP2 (tenho o modelo antigo, que é muito boa, com o corpo um pouco frágil em baixas temperaturas… a minha quebrou a carcaça quando fui trocar as baterias a uns 18 negativos)

e alguns modelos da Black Diamond…

Princeton Tec EOS

 

Petzl Tikka XP2

 

 

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11 Comments

  1. Tinha uma da primeira geração que deu problema, a serelepe na época arrumou, mas ficou pior, aí mandaram uma nova. Que eu vendi. Comprei a da segunda geração (em julho de 2009) mas em julho de 2011 deu esse mesmo problema! Vou tentar trocar!

  2. Qual o problema com a quantidade de pasta térmica?
    Pela foto parece que o diodo estava com pasta em toda a sua interface com o dissipador.

    A função da pasta térmica é oferecer um melhor caminho (do que o filme de ar que ficaria em um contato “a seco”) para a transferência de calor do dissipador para o diodo. Não há motivo para ‘lambuzar’ tudo com um monte de pasta térmica.

  3. Olá Pessoal!

    Uma lástima esse defeito, logo num produto de marca conceituada. Infelizmente somos tratados como “índios” por estes fabricantes de equipamentos estrangeiros que tanto idolatramos. Nos EUA e Europa eles devem ter feito recall deste modelo, caso contrário a reputação da empresa ficaria maculada de tal forma que eles não iriam conseguir vender mais nada. Aqui impera a regra do “dane-se” e nós continuamos comprando – povo de memória curta… Nossas leis consumeristas não exigem o recall a não ser para automóveis e estas empresas sabem disso, mas o consumidor tem direitos. Vejamos.

    Há alguns anos tive problemas com duas câmeras fotográficas da Sony com defeito de fabricação no isolamento do sensor de captura. Fiquei sabendo por um site americano que vários modelos haviam apresentado este problema e que lá a Sony havia feito recall e trocado o sensor ou, dependendo do caso, a câmera toda, conforme opção do cliente. Notícias davam conta de que mais de 1 milhão de câmeras foram reparadas ou substituídas. Aqui, no site da Sony Brasil nem menção havia ao problema. Não satisfeito com este descaso entrei em contato com o SAC deles por telefone e depois de muito argumentar e insistir recebi um endereço eletrônico onde poderia verificar se minhas câmeras eram realmente das séries defeituosas. Bingo! Eram mesmo (o que eu já sabia) e o site então me direcionou para uma página de cadastro onde me foram fornecidas orientações de como proceder. Resumindo a ópera, a Sony Brasil trocou o sensor das duas câmeras sem qualquer custo e elas funcionam até hoje, mas isso só evidencia a maneira como estes problemas são tratados no mercado brasileiro pelos fabricantes. Eles até trocam ou consertam o produto quando demandados, mas não divulgam a existência do defeito em lugar nenhum. Dane-se a maioria dos consumidores, que comprem outro produto. Naquela época em que enfrentei este problema, tomei conhecimento de pelo menos 2 amigos que possuíam câmeras da mesma série e que acabaram por jogar fora o produto por desconhecimento do problema e de sua potencial solução.

    Vale lembrar que, juridicamente, este tipo de defeito constitui-se em vício oculto conforme prevê nosso Código de Defesa do Consumidor e pode ser arguido contra o fabricante, distribuidor ou mesmo o lojista na ausência de informação sobre os outros dois, até 90 dias depois de detectado o problema (e não até 90 após a compra, como insistem alguns). Vamos exercer nossos direitos e construir um mercado mais forte, onde sejamos respeitados como consumidores. Só assim teremos também produtos com maior nível de excelência sendo distribuídos em nosso país.

    Abraço!

  4. Sem querer puxar a sardinha pro lado da PETZL, mas no site não há menção alguma sobre recall deste produto em nenhum país. Recentemente outro produto deles deu defeito e o recall foi para o mundo todo, inclusive o Brasil. Sobre o problema da headlamp, um amigo meu teve o mesmo problema que eu, o representante da petzl no brasil mandou uma nova em ambos os casos. Empresa séria francesa, não se compara com essas globalizadas americanas ou japonesas que visam unicamente o lucro, não é a toa que ali a crise mundial nem passou perto! :)

    Mas no resto concordo em genero numero e grau, Getulio!

  5. Seu blog me ajudou muito!! Tenho uma que parou de funcionar e só acende no modo boost. Um amigo meu tem a BD Icon e é infinitamente superior, até pq vc não fica refém de um led só. A gente compra um modelo top de linha da Petzl achando que fez uma boa compra e qdo menos espera fica na mão. No meu caso foi antes de começar a travessia petro-terê. Agora não posso confiar nela, tenho que levar sempre duas!

  6. Uso head lamp da petzl que apresentou problema(a carcaça quebrou em várias partes)onde posso reclamar?
    Gratoi
    Nemo

  7. Boa noite amigo. Eu tenho uma lanterna da magicshaine… Que uso na cabeça.. A mj-880.
    Ela è perfeita porém arrependo algum ligamento que liga a lanterna na bateria e precisava arrumar.. È uma lanterna muito cara (na época comprei fora com o dólar a 1.2) e não rola comprar outra só por causa do cabo.. Sou de Curitiba. Sabe me informar quem possa arrumar ela pra mim? Precisaria de um cabo novo ou cortar a parte quebrada e soltar de novo e fazer um acabamento.

    Obrigado

  8. Daniel, sugiro você procurar alguma oficina de eletrônica… explique ou mostre o problema para eles… acho que qualquer pessoa com habilidade manual e um mínimo de conhecimento de soldagem (eletrônica) e capricho deve ser capaz de arrumar.

    Boa Sorte !

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