Ataque de abelhas na Pedra do Baú

Nesse último final de semana, eu estava levando um casal para escalar na Pedra do Baú – SP, éramos eu, a Marcela e seu marido, o Alexandre.

Tivemos um dia perfeito de escalada no sábado. No domingo, acordamos logo cedo e fomos para fazer a “Cresta+Normal” na Pedra do Baú.

Logo após fazermos a trilha inicial e subirmos a escada amarela, do lado esquerdo, iniciou-se um ataque de abelhas. Ali é um lugar que tradicionalmente costuma ter vespas/maribondos, mas dessa vez foi um ataque de abelhas, animal de comportamento bem diferente…

O Alexandre começou a tomar as primeiras picadas e conseguiu fugir em direção ao início da “cresta”, o forte vento (e a distância) impediram que ele continuasse tomando picadas onde ele se abrigou.

Uma parte do enxame veio para cima de mim. A marcela, que estava entre nós, não havia tomado (ainda) nenhuma picada e falei então para ela ficar quieta e não se mexer (para não iniciarem um ataque à ela).

Eu consegui “fugir” descendo a escada amarela e já quase chegando ao estacionamento do Baú eu já havia conseguido matar todas as abelhas no meu corpo/cabelo/rosto e o enxame não me perseguiu.

Enquanto eu corria na trilha, pedia por ajuda de qualquer montanhista que eventualmente estivesse por ali (eu precisaria de mais roupas, etc…)

Encontrei nesse momento um escalador do CAP, o Luiz Carlos Oliveira, que me emprestou alguma coisa e voltamos à escada amarela para ver como estavam as coisas.

O enxame ainda estava por ali e eu não conseguia sequer chegar decentemente perto da escada. Nesse momento a Marcela começou a ser atacada e a gritar. Segundo o relato dela ela pensou em “se jogar” em direção às árvores, tal o desespero. Finalmente ela abandonou tudo e conseguiu sair e correr em direção à escada, e descer a escada sendo atacada de forma ininterrupta (e nós lá embaixo também).

Quando ela chegou na trilha, começamos novamente a fugir em direção ao estacionamento, sendo que ela já havia tomado algo em torno de 300 picadas.

Logo que chegamos ao estacionamento, nós dois vomitamos um pouco. Deixei a Marcela com o Luiz, pedindo para que se verificasse constamente ela, e se a qualquer momento ela começasse a ter qualquer dificuldade para respirar (uma eventual reação alérgica às picadas) pedi para ele levar o mais rapidamente ela ao hospital/pronto atendimento em Campos do Jordão (cidade vizinha à São Bento e com uma melhor infraestrutura).

Corri então até o topo do Baúzinho e consegui avistar o Alexandre próximo à cresta do Baú.

Avisei a ele que sua esposa estava bem e no estacionamento, que era para ele ficar calmo, sentado, não fazer barulho e aguardar que eu daria um jeito de chegar até ele.

No quiosque do Vicente peguei um pouco de óleo diesel, alguns panos, umas camisetas, etc.. e preparei uma tocha para fazer fumaça/fogo e conseguir atravessar o enxame e ir em busca do Alexandre. Consegui ainda com o Vicente um providencial inseticida em aerossol. Arranjei mais roupas para me proteger, e consegui mais roupas também para o Alexandre.

Voltei correndo na trilha, na base da escada já comecei a ser picado novamente, mal consegui acender a tocha e realmente, com o fogo (e que fogo !!!) e com a fumaça, consegui subir a escada, fazer a travessia e… a tocha acabou/apagou praticamente no final da travessia… as abelhas recomeçarama a atacar quase que instantaneamente… comecei a disparar o inseticida (inclusive no meu rosto, que era a parte mais exposta) e consegui chegar na trilha e correr até a cresta.

Cheguei até o Alexandre, coloquei as roupas nele e na esperança das abelhas ainda estarem “zonzas” pela fumaça e pelo inseticida, voltamos novamente correndo para o col, onde atravessamos (sendo novamente picados) e conseguirmos chegar até a escada.

Ao chegarmos na escada, encontramos dois bombeiros (que alguém deve ter chamado no estacionamento) preparados para um ataque de abelhas, com proteção facial, etc… (só não tinham a fumaça… rsrsrs).

Descemos rapidamente o Alexandre, o bombeiro (que ainda estava na escada) e eu fui em seguido, sendo consumido pela abelhas (que também atacavam quem estava na base da escada, na trilha, etc…).

Ao chegarmos no estacionamento, havia uma ambulância que veio junto com os bombeiros.

Fomos todos para Campos do Jordão, eu e a Marcela vomitando quase descontroladamente. O Marcelo (que deve ter tomado “só” umas 100 picadas, estava super bem).

Na unidade de pronto atendimento fomos medicados, etc…

Então é isso…  certamente esse relato está incompleto e com algumas lacunas e eventuais erros.

Nossa grande sorte é que ninguém era alérgico, senão o cenário teria sido realmente trágico.

Recomendo a leitura atenta do seguinte artigo:

www.marski.org/artigos/121-artigos-tecni…

Não sei exatamente onde está a colméia das abelhas, mas imagino que deva estar logo no começa da triha após o col.

Abraços e boas escaladas seguras a todos,

Davi Marski

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Por último, algumas considerações de caráter geral:

A ambulância foi enviada com apenas uma técnica de enfermagem, até aí tudo bem. O médico orientou a aplicar fenergan (um anti-histamínico) e adrenalina caso estivéssemos “ruins”. A técnica não aplicou nenhum dos medicamentos pois “achou” que não era necessário !?. Recebemos a medicação apenas no Pronto Atendimento… Não havia suporte ventilatório na ambulância (e mesmo que houvesse, quem iria fazer alguma coisa caso alguem tivesse um choque anafilático e tivesse uma parada respiratória ?!).

Não houve preocupação de nenhum dos profissionais de saúde em remover os ferrões (o Luiz do CAP foi quem ficou removendo os ferrões ainda no estacionamento).  Essas são as minhas únicas observações quanto ao atendimento inicial.

Por parte do bombeiros, talvez eles deveriam ter uma bomba de fumaça/inseticida ou algo assim. Estavam apenas com um (ou mais) extintores de incência (de carro) no intuito de afastar as abelhas. No mais, eles atuaram de forma exemplar, sendo que eram 4 bombeiros, apenas 2 estavam protegidos contra as abelhas e o bombeiro que subiu as escadas, estava com uma máscara protetora de abelhas para ser usada com o Alexandre (nem deu tempo de colocarmos, prefiri fugir o mais rapidamente do ataque).

Eu fui quem ficou com pior o quadro clínico, provavelmente devido ao número das picadas (algo próximo de 500) e também por ter respirado de forma signficativa o inseticida. Minha pressão chegou a 80X60mmHg, forte taquicardia (FC de 154bpm) e uma discreta apnéia.

Ficamos em observação por algumas horas no PA, fomos liberados e voltamos para casa.

Se você tiver treinamento de APH/WFA/WAFA/WFR, recomendo a leitura do breve artigo:

goo.gl/pUIR8o

Estamos todos bem (apesar das picadas que tomei dentro da boca, dentro do nariz, dentro do ouvido… como isso dói !!! rsrsrs).

Davi Marski

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Atualização em 25/02/2014, Por Alê Silva / Casa de Pedra

COLMÉIA NO COL DO BAÚ FOI REMOVIDA

remocao_abelhas

Depois do grave ataque de abelhas que aconteceu neste último fim de semana no acesso ao COL DO BAÚ relatado pelo Davi Augusto Marski Filho em seu blog:http://www.blog.marski.org/?p=2696 o Fabricio Barbosa depois de entrar em contato com a Secretaria do Meio Ambiente e Turismo voltou ao local hoje com dois apicultores contratados pela prefeitura de São Bento do Sapucaí para remoção da colméia.

O problema neste ponto de grande circulação foi resolvido, porém todo o cuidado é pouco nesta época do ano. Outras colméias menores em diversos setores do complexo tem sido reportadas. Portanto fiquem atentos!

7 Comments

  1. Que bom que nada mais grave aconteceu.
    A colmeia de abelhas está em uma fenda bem no começo da trilha desativada do col.
    Após subir a escada, um pouco antes do primeiro lance de “escalaminhada” da travessia do col, se descer pela esquerda e acessar essa trilha desativada, vai dar de frente com essa colmeia… Impossível passar por ali sem irritar elas.

    Boa recuperação e boas escaladas.

  2. Caramba, que relato aflitivo, rs… O que mais me espantou foi a persistência das abelhas e o local do fato, no col, perto da escada, que não te dá chance nem de sair correndo direito… Tem um amigo que escala com um inseticida aerosol preso à cadeirinha, quando sabe que a via tem perigo dessas coisas, mas acho que nesse caso não ia adiantar nada pelo visto… Boa recuperação pra vocês e que possam voltar lá pra fazer a escalada que pretendiam 🙂 Abr!

  3. porra q fita, sinistro. Cara eu desconfio onde elas estejam, recentemente no mesmo ponto escutei um barulhão do enxame e vi algumas voando. Uns anos atrás, antes da escadinha amarela, tinha uma trilha que subia por uma canaleta (esquerda da escada), agora quando eu passei na escadinha recentemente tem um ponto da trilha (que tem um bloco e precisa pagar um lance) e uma árvore eu escutei o zunzunzun do enxame mais forte bem na base dessa árvore…..desconfio que elas estão por lá…..

  4. Fomos atacados pela segunda vez ontem no BPO Queluz; a primeira vez levei algumas picadas e saindo correndo torci o pé o que me deixou 2 meses de molho. Ontem (23/02/2014) fomos atacados de novo. As abelhas situam-se na canto direito do setor B, indo para o setor C; Dessa vez não levei nenhuma picada mas um amigo chegou a 15 picadas (nada comparado a 300). Mas dessa vez tive um aprendizado com um dos amigos q era biólogo. Na ida nada aconteceu e sim quando estamos indo embora. Quando fomos atacado as abelhas estavam coletando e passando pelo meio do transito delas fomos atacados. Na fuga o Paulo largou o equipo. Esperamos escurecer pois elas dormem tb para poder voltar. Acho que os ataques estão relacionados a estes horários do dia que elas estão em transito, se cruzar por elas complica. Boa recuperação a todos. Abraço

  5. Bom dia Galera!No sabado tomamos um ataque também..Eu e mais 3 amigos o Mika,guilherme e emersom Fomos montar um highline no bauzinho e elas estavam do lado esquerdo do lado da escada amarela subindo uns 5 degraus elas estão por la é muito grande o volume delas .

  6. Cara, também fui atacado por essas abelhas quando fui tentar escalar a normal o baú. Nunca tinha escalado na região e fui com uns amigos para fazer a normal. Não vi a colmeia, mas apenas ouvi o enxame quando estava subindo a canaleta à esquerda da escadinha e as abelhas avançaram de repente na minha cabeça. Demorou meio segundo pra eu pular de volta pra trilha e sair correndo que nem um louco! Por sorte eu estava com roupas compridas e eu e o resto do grupo levou apenas umas poucas picadas.

    Acho que agora vou começar a levar anti-histamínico pra pedra… Boa recuperação e boas escaladas!

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